Home
Biscoitinhos! [entries|archive|friends|userinfo]
Biscoitinhos

[ userinfo | livejournal userinfo ]
[ archive | journal archive ]

(no subject) [Apr. 11th, 2008|03:24 am]
*pelo direito de ser piegas, sempre*

Eu quero engolir o mundo, bem forte, e quero engolir você. Sem parar para pensar em nada, sem pedir licença. Vou abrir os braços em volta do teu corpo e te puxar para mim, rápido, te roubar e esconder, para que a tua reação não atrapalhe meus planos.

Quero te mastigar devagar, fixando todos os gostos na minha memória. Você cheira bem, eu tinha certeza. Eu sabia que teu coração batia rápido assim, e que teu corpo iria reagir de imediato, tremer, ondular, as bocas e pernas se arrastando no sobressalto de sentir o que o outro sente. Eu sabia que irias sorrir depois, quando eu misturasse amor e bobagens nos teus ouvidos. Não me importo quando as palavras saem aos borbotões, gaguejadas, sem sentido, honestas acima de tudo.

Vou repetir até que você entenda. Te prometo o mundo, gramados verdes, música, dança, o absurdo da vida, o céu avermelhado do fim de tarde, o lado bom da rotina, abraços para espantar o frio, partilhar uma bacia de pipoca, a lua, a chuva refletindo no asfalto. Prometo o futuro e pequenas cópias da gente fuçando nos discos do Iron e do New Order.
Junto, eu sei, virá o peso, o egoísmo e as dúvidas, minutos de isolamento, escuridão, pequenas dores e conflitos que não posso evitar. Mas farei com que você nem os perceba, impedirei que te machuquem, que firam teus ombros, porque é neles que gosto de cair no sono, ouvindo somente a tua respiração.

Quero passar os dentes devagar na tua pele, para marcá-la. Não vai doer, juro, mesmo se sangrar. Falo isso com o mais inocente dos sorrisos, o mesmo que vejo estampado no teu rosto. É o sorriso que também estará no meu, quando conseguir, afinal, engolir o mundo. E engolir você.

/postado no MMs em 10 de novembro do ano passado (2007).
Para ele. Ora para quem? Ora para quem, pessoinha de ar alheio, distraído, quase idiota? Ele sabe, eu sei, todo mundo sabe.
O cara que eu quis e nunca tive. Sabendo que não ia dar certo. Meu murro em ponta de faca pessoal. Que se dane. Eu ainda prometo, basta você querer.
LinkLeave a comment

(no subject) [Nov. 17th, 2007|01:53 am]
Eu me viro, reviro, suspiro, a falta de ar me impede de dormir, as letras das músicas conhecidas reverberam na minha cabeça, e a tua imagem ainda está aqui.

Te vi duas vezes. Três. Em todas, você tinha um ar alheio, quase infantil, quase idiota.

Te vi três vezes. Na terceira, minha boca se lançou a tua de forma incontrolável; eu não queria parar de afagar os teus cabelos, ainda que eles tivessem pequenos nós nas pontas, cabelo maltratado de homem, de menino desleixado.

Eu não queria parar. E, adivinha, eu não quero parar.

Na madrugada dos beijos intermináveis, teu ar continuava quase infantil, quase idiota, curioso, enquanto tua mão teimava em repousar no osso do meu quadril.

E eu tentava descobrir o teu cheiro e chegar mais perto, encontrar um lugar entre os pêlos, na aspereza da tua barba crescida.

Te vi três vezes. Quatro, que seja. Foi o suficiente.

A tua imagem ainda está aqui.

[sim, foi pra um cara que eu mal conheço, isso.
deixa, obsessão não tem nada q ser explicado. logo logo passa. i hope]
publicado no MMs, em 16/11
LinkLeave a comment

(no subject) [Nov. 7th, 2007|01:53 am]
F.E.A.R

Medo:

do Lat. metu

s. m.,
terror;
receio;
susto.

loc. adv.,
a -: com receio.

Aos dez anos, eu vivia com medo de andar na rua e ser atropelada. Ou de que cocô de pombo caísse na minha cabeça ao passar debaixo dos jambeiros do colégio onde estudava. Aos 12, temia reprovar nas provas de matemática, e aos 16, tinha medo de perder meu primeiro namorado. Aos 20, de não arrumar emprego. Atualmente, aos 25, bate as vezes um certo receio de nunca ter filhos.
O atropelamento, ufa!, não veio, mas o cocô caiu de forma certeira, duas vezes, uma em cada braço, em dias próximos do final de 1992. Na sexta série, fiquei de prova final em matemática, e não reprovei sabe-se lá por quê. Logo ao completar 17, meu primeiro namorado admitiu que andava com outras garotas porque morávamos em cidades distantes e ele não sentia mais minha falta. Passei longos períodos sem emprego, que foram, vieram, mas nunca foram tão graves. E os filhos, bem... prefiro acreditar que um dia eles virão, ainda que isso demore um certo tempo.
Moral da história? Medo não protege, nem afaga. Medo é uma sensação falsa de segurança, de controle da própria vida, que a gente nem tem. Medo só paralisa e impede de olhar para os lados. Impossível de não sentir, mas possível de desviar. Portanto, eu desviarei do medo antes que ele me consuma por todos os poros. E antes que ele me impeça de correr dos meus próprios sonhos, me prendendo pelos calcanhares e me trancando na gaveta da rotina.

Eu devo isso só a mim mesma, a mais ninguém. Três vivas para o umbiguismo.

[publicado nos MMs, 7/11/07]
LinkLeave a comment

(no subject) [Oct. 25th, 2007|01:54 am]
i just wanna be cafona!

Eu não sei de você, mas eu não consigo ser cool, sequer tentar, desde que a paixão bateu a porta.
Deixei de me esforçar para manter o charme blasé quando me dei conta que ela, a paixão, transformou-se em amor. Nem vi quando ela mudou-se aqui pra casa, passou a comer direto da panela e a tomar banho de porta aberta.
Pouco importa o corte correto dos meus jeans, a tinta cara no cabelo, a curiosidade em descobrir bandas boas antes de todo mundo (quer coisa mais cool que ouvir uma banda indie das Ilhas Cook?), ou a coleção de dvds do Bergman. Meu amor me pintou de vermelho-Almodóvar. Não é Cosmopolitan, é vodca Natasha, direto da prateleira do Carrefour para a minha mão por módicos R$ 8,99. Misturada com sprite e um pouco de sal, para piorar o que já era ruim.
Eu não sei de você, mas o meu amor não é Beth Orton. Death Cab for Cutie? Nem pensar!
Meu amor é Bethânia, chorado, rasgado, vibrante, com cores que brilham demais e doem na vista. Treme como a voz dela, e como eu, por inteiro, ao simples abrir de olhos para encarar você. Ao sentir o gelado da tua pele encostada na minha, logo depois de sair do banho, ou como os beijos que me viram de ponta-cabeça.
Chega de procurar explicações ou justificativas, nas letras do disco novo do Radiohead, no cinema ou na literatura médica. Nem na Bíblia, porque não tem jeito. Nos tempos antigos, creio que as paixões eram bem mais low profile...
Meu amor é cafona, desajeitado como andar de patins na sala dos cristais. Meu amor me dá raiva, dá vergonha, vontade de enterrá-lo a sete palmos, junto com as fotos da adolescência (como é que eu usava aquele cabelo?!). Mas meu amor me diverte. Me completa, me enche de orgulho por carregar tamanha coisa boa, coisas que eu me achava incapaz de sentir. E me faz querer, loucamente, que ele nunca termine.

[21/10/2007 - publicado originalmente nos Melindres Meliantes. E dois dias depois do teu aniversário, pessoa a quem eu odeio, mas não quero me afastar. Goddamnme.]
LinkLeave a comment

(no subject) [Sep. 11th, 2007|11:29 pm]
*!*

Minha vontade de esquecer
só é menor que minha falta de concentração
que me faz esquecer
que eu mataria você
se te encontrasse na esquina

e esconderia teu corpo
no gramado
as rosas cresceriam
junto com a minha falta de concentração
já que eu esqueci
porque foi mesmo que te matei
LinkLeave a comment

(no subject) [Aug. 6th, 2007|12:08 am]
Eu queria que essa tristeza saísse de mim como lágrima, como pele morta, dúzias de fios de cabelo, como sangue, catarro, pus, suor, como uma batida na cabeça, um baque certeiro, como um pulso acelerado. Queria piscar os olhos e ver tudo límpido, branco, como todos, como os demais, os normais, sem venda, sem névoa, o véu que deixa as cores mais fortes ou mais fracas, ao bel prazer do meu estado de espírito. Queria cuspir a tristeza, jogá-la longe, no lixo, na água, o vômito que jorra de mim. Ou deixá-la num canto, escondida, empoeirada, uma caixa onde se lê INUTILIDADES, para que eu nunca mais a veja, a toque, ou abra. Eu queria chorar até que os olhos inchassem, até o corpo ranger de raiva, até que a febre me fizesse sucumbir. Não por gosto. Só para ter certeza de que ela foi embora. A tristeza. Eu trocaria a tristeza por qualquer outro sentimento, pelo ódio, pela inquietude, pela dor, desde que eles me tornassem imunes a lucidez, ao bom senso, ao respeito pelos outros, ao amor. Não sei o que são essas coisas, que vagam na minha cabeça quando a tristeza aparece, me abraça e sussurra que sempre estará aqui, não importa o quanto eu fuja. Quero morder meus braços, furar a pele, arrancar a carne para que o corpo reaja por uma sensação real, e não essa, invisível. Invisível porque não tem rosto, cheiro, identidade. Mas eu sei que ela existe, porque corrói meu estômago e me abriu um buraco no peito. Porque me prende, me ata os pés, grita que sou covarde para deixá-la. Zomba de mim e me chama de acomodada, porque não faço como os demais, os normais, que não se acostumam a viver assim. Porque sou viciada nela, e exijo outras doses, todo dia. Porque tenho minha sombra, o barulho dos meus passos, o reflexo no espelho, temo dançar a música do cotidiano, porque imagino que vou cair, na frente de todos. Temo ser vista, ser alguém, ser eu, não um projeto de gente encoberto por ela. A tristeza.
LinkLeave a comment

(no subject) [Jul. 28th, 2007|02:22 am]
Não vai embora, eu pensei, querendo falar, mas a voz não saiu. Só tinha sombras no quarto, dos cigarros acesos, do ipod ligado, de uma musiquinha triste mal saindo pelos fones. Não vai embora, eu pensei, me arrastando pela cama, nua, me enrolando numa toalha e caminhando para o banheiro. Não vai embora, eu gritei, me sentando no chão e preparando a carreira em cima da tampa do vaso. Banho gelado. Banho para tirar o ruim, o preto, o sujo, do que adianta, ainda quero que não vá embora. Mesmo depois, olhando para a geladeira, tomando água, tomando suco, desejando vinho, mas pensando que seria conveniente evitar o álcool.
Conveniente.
Seria conveniente pensar, mais uma vez, não vai embora?
Não é a você que eu peço, com os olhos arredondados de desejo, com uma vozinha fina, não de manha, não de infantilidade, mas de vergonha, que não vá embora. Você pode ir. Você não é daqui. Seus ossos, a tua carne, não são meus. A tua porra nas minhas mãos não é minha, nem os fios de cabelo grudados nas minhas costas, nem o suor que ficou nos lençóis. Não é para ninguém que eu berro, NÃO VÁ EMBORA. Simplesmente não tenho para quem gritar. Se eu quisesse gritar, podia, mas ninguém ouve. Não tenho ninguém para ficar, para pedir, para fazer uma música, para criar um riff do mal, para rasgar as roupas, o coração, morrer de asma, de infecção, de vírus ebola, de amor. Ninguém pertence aqui. Ninguém fica aqui. Pensei que já houve alguém, mas a cada dia descubro, aos poucos, que não há. Não tem rosto que eu deseje ver quando acorde de manhã. Não há corpo que eu queira ver, saindo do banho. Não há nada. Não tem reflexo no meu espelho a quem eu olhe e diga amo, revirando os olhos de ironia e desejo. Eu não amo você, eu não amo ninguém, ninguém que revire minhas entranhas e me olhe quase com pena, como se eu fosse uma louca de hospício. Ninguém.

Um dia, há muito tempo, pediram-me que desenhasse algo clichê, tipo 'quem sou eu'. Eu desenhei uma mulherzinha, com um buraco, perto do peito. Disfarcei, como se o buraco fosse uma medalhinha, um enfeite de roupa, um bottom. Bom... não era. E o buraco permanece, enquanto eu desligo o ipod e apago o cigarro. O buraco está aqui e eu acho que é dele que sai esse ruído, esse 'não vai embora' que eu insisto em dizer entre os dentes.
LinkLeave a comment

(no subject) [Jul. 19th, 2007|11:32 pm]
Eu quero amar você por dois dias, duas noites, poucos segundos, grudar minha boca em teu ouvido e te derreter de gemidos e desespero. Que eu vou morrer se não te amar. Que eu vou doer se não te sentir. É tudo falso. Eu quero sumir, mas quero estar aqui para te ver. Chorar sem perder o traço do rímel. Beber sem borrar o batom. Purgar sem machucar por dentro. Eu vou morrer, de mentira, se não te amar. Paixão de mentira, nós somos reais apenas enquanto tua língua está na minha e o teu suor se espalha na minha pele.

Quero viver de mentira por dois dias.
Desejo reprimido é apenas uma lembrança ruim.
A constante em mim é viver em ondas. Por que ainda me chocar?


É. Contigo mesmo. Duvida que eu consigo? Tolo.
LinkLeave a comment

(no subject) [Jul. 17th, 2007|10:35 pm]
Você é um inferno, biscoitinho.
Você é um inferno, o frio é um inferno, bebida é inferno, comida é inferno.
DESEJO REPRIMIDO é um inferno.
Mas para tudo tem jeito nessa vida. Toda noite agora eu vou rezar, rezar forte, com as mãos juntas, pedindo a Deus que tire esse DESEJO REPRIMIDO de mim. Deus vai me ouvir. Deus vai fazer com que eu deixe de ser cínica e vai me mostrar.
Porque, como todos sabemos, água e óleo não se misturam.
Sangue tem gosto ruim.
E sexo sem amor tem gosto de chocolate. Mas o gosto bom acaba rapidinho.
LinkLeave a comment

(no subject) [Jun. 7th, 2007|12:39 am]
Os vidros estão caindo e o Marcelo Falcão batuca num pandeirinho chato, 'a coisa mais feia do mundo é gente que chora de barriga cheia'. Eu concordo. Eu o odeio. Mentira, achava que ele e aquela atriz formavam um par legal. Eu odeio o choro de barriga cheia. Mas tudo está caindo. As coisas que devem cair, caem lentamente. O meu peso, devagar, quase parando. A minha tolerância, essa cai, rapidamente, como aquela chuva que destruiu o canteirinho de rosas, tempos atrás. Nesses tempos, vivo de ameaça. A ameaça de explodir, de chorar, de bater nos outros, de ser grossa e injusta. As burrices da adolescência, acho que nunca foram embora, mas bateram na porta de novo. Dessa vez, vieram vestidas seriamente, na forma de 'ei, cuidado'. Ei, pontuação. Ei, gramática. Ei, crase. Já me senti deprimir por muita coisa. Pelos 68 quilos, por sentir que amava e não era amada, por sapatos, por livros que eu não entendia. Nunca por uma crase. Maldito acento virado ao contrário. Maldita língua portuguesa, boa de ouvir, difícil de escrever. Difícil de viver com legenda em português, melhor pensar e xingar como os anglo saxões. Anglo saxão tem hífen? O, fuck.
As janelas caem, minhas pálpebras, e eu tateio na penumbra, só uns pontinhos de luz saem do chão. Uns são você. Outros, o trabalho. Outros, a vida que eu sempre quis. Quando criança, meu desejo era crescer para trabalhar, ganhar dinheiro, ler um bocado, usar roupas bonitas, começar a fazer sexo e usar drogas. Mean it. Engraçado, eu não entendo também os motivos desses meus desejos. Mas eles sempre estiveram ali, me esperando. Apareceram pouco a pouco. Claro, eu sempre desejei ser bonita, 'tradicionalmente' bonita, mas abandonei esta vontade no meio do caminho. Após o período ostra, dane-se, quem não quiser me ver, que feche os olhos. O resto veio. Veio o sexo, a troca, a carne, a força. Veio o amor, foi o amor, voltou, veio a batalha, a briga perdida, e agora uma estranha calmaria. E veio o licor, o conhaque, beber um copo para dormir bem, cinco copos para ver televisão, e veio tudo, e uma vontade nova, de ser o que eu não sou. Peculiar, interessante, bem resolvida, usuária de fim de semana, pequena enciclopédia do rock, pessoa que sabe escrever, que vive de escrever, que sabe pontuar.
Eu não sei pontuar, cara. Minhas vírgulas vêm excessivamente. Ou faltam, num discurso atropelado.

Você se lembra, H., quando fomos ao cinema, mil anos atrás, ver o filme da grega feiosinha que de repente se descobria bonitinha e casava com o americano bonitón? Nós nos vimos no lugar dela, a que sempre se achou a última da fila, a mais desajeitada, que por alguma força de vontade escondida decidiu transformar-se e viver? E, de quebra, ainda levou um bonitão?
Bom, as coisas mudaram. Eu não falo com você desde 2005. E eu? Sou uma pessoa que preciso, desesperadamente, aprender a pontuar.
LinkLeave a comment

(no subject) [Jan. 6th, 2007|06:57 pm]
Soque meu estômago para chegar ao meu coração.
Soque, soque.
Soque para senti-lo tremendo, para ver meu corpo em ondas. Soque para ver o sangue jorrar, subir e cair de minha boca aos meus braços. Soque meu estômago para ouvir meu coração bater, para ter certeza de que ele ainda vive, mesmo doente. Vazio, as vezes duvidoso, lento, pensativo, sem objetivos. Soque meu estômago para chegar até ele, que não bate por mim, por ninguém, nem pelas chances perdidas, pela noite passada, pelo pó que aspiro, pelo sangue que sai da boca e morre nos braços. Meus dentes estão vermelhos e marcam você. Mas, adivinhe, você não se torna especial por isso.
Então espere.
Soque meu estômago de novo.
Ainda podemos chegar ao coração.
Link1 comment|Leave a comment

(no subject) [Oct. 6th, 2006|03:35 am]
I need bones, my good fellas.

Definitivamente, apenas ossos. Só o barulho dos ossos. Acariciá-los, ásperos e pontudos. Senti-los roçando a minha pele, incomodando, marcando a carne.

I just need bones. Just now.
Link1 comment|Leave a comment

(no subject) [Aug. 29th, 2006|10:39 pm]
~não~

"ou a gente se acerta agora ou não se acerta nunca mais"

não vamos nos acertar, meu caro. porque não é fácil. porque não é assim que funcionamos. porque eu não quero receber uma faixa + cetro + coroa de 'você é a única mulher que me amou'. Pouco importa se fui a única que o amou, ontem, hoje ou amanhã. Eu quero mais, eu mereço mais, eu posso mais. Eu posso mais que ser divertida, mais que ser irônica, mais que não ter vergonha de chorar em público. Eu não mereço porrada, nem afagos raros, nem elogios despercebidos. Eu mereço mais que ver você aos beijos com outra mulher atrás de mim na escuridão do bar. Mereço mais que um garçom zoando você por estar com essa mulher e não comigo, tão bonitinha com meus scarpins e cinto de tachinhas (você tá parecendo uma indie, menina! tá linda! olha teu cabelo como tá legal!). Eu posso mais do que os seus beijos que machucam os meus lábios e o seu corpo forçando o meu, a sua explosão de ódio contra o meu rosto que só abaixa e constata que não existe o agora. merda, eu acho que existe mesmo é o tal do nunca mais.

não farei nada contra ou a favor. eu reconheço o que sinto. eu o amo. reconhecer a falha é o primeiro passo para livrar-se dela. eu quero deixar de amá-lo e que todos os meus pensamentos virem uma lembrança. só mais uma, nem mais nem menos importante que as outras.

eu iria onde você estivesse, se me chamasse. te levantaria, te faria sorrir, te abraçaria, te ouviria reclamar. chegaria ao extremo da cafonice de cantar, se quisesse ouvir. ou choraria ouvindo as malditas musicas da bethânia. da bethânia, bicho. onde foi que eu cheguei...?

mas não posso lutar contra você. e não posso amar o suficiente para preencher o que você não sente. pode levar mais dois anos, quem sabe. ou pode permanecer aqui dentro mais um tempão. não importa, cara. um dia, quem sabe, a gente se acerta. mas eu aposto mesmo é no nunca mais.
Link1 comment|Leave a comment

(no subject) [Aug. 4th, 2006|12:07 am]
~não~

não me diga que o amor tem pressa de acontecer. urgência. não me diga que tudo vai dar certo no fim. não me diga que há males que vêm para o bem. não me afague os cabelos, não me dê o seu melhor abraço nem me dedique preciosos minutos de consolo. sai, xô. corre daqui. hoje eu te proíbo de me defender, de me poupar, de justificar minha estupidez. hoje a gente troca de lugar e o teu é ficar aqui, ouvindo minhas bichices, minhas florzinhas, minhas histórias cheias de detalhes ocos. te deixo bocejar, revirar os olhos, acabar com um maço. te deixo até tocar fogo em alguma coisa, se o tédio estiver muito grande. te deixo sentar aqui perto e me ouvir, e me condenar, e encostar o dedo no meu nariz me culpando pela inércia que me ronda todos os dias. te deixo gritar e espernear, podes tudo, exceto esse olhar carinhoso e a mão macia que insiste em tocar meu rosto e repetir que as coisas vão ficar bem. o amor não tem pressa de acontecer, porque ele não acontece se não dermos o primeiro passo. e o primeiro passo será sempre um ensaio, porque não virá de mim.

~não~
Link1 comment|Leave a comment

(no subject) [Aug. 2nd, 2006|12:46 am]
Características:

OLCADIL é um benzodiazepínico que produz alívio da ansiedade, do medo, da inquietude, da tensão, da agitação, dos sintomas depressivos e de vários tipos de insônia, não causando de modo geral sonolência ou ataxia.
(...)

Ah, rapaz. Como é que não jogam isso na água que a gente usa?
É muito egoísmo dessas indústrias farmacêuticas, viu.
LinkLeave a comment

(no subject) [Jul. 26th, 2006|04:24 am]
.He is a bitch.


Dois anos depois, concluo que nossos corpos ainda fazem barulho quando se juntam. O barulho rápido de quando alguém num filme termina de carregar uma arma e fecha aquele tamborzinho. Click. Já era.

Nossos corpos se juntam, nossos corações não. Aliás, tu não tens coração que eu sei. E eu espero me livrar do meu um dia. Logo. Amanhã, se possível. O que nos junta são as marcas que deixamos um no outro, dentes afiados, tapas, empurrões, ironias. Mas quando elas sumirem, some também a vontade de te ter, de te ver.

Mentira, não some. Apenas se transforma. No fundo, eu gosto de você. Muito. Me alegra saber que estás bem, me aborrece quando ninguém sabe nada da tua vida para me contar. Me enche de um orgulho bizarro que estejas na universidade, porque no fundo, me inspiro em você. Para coisas ruins, como frieza e desconfiança ('bicho, foda-se, a gente nunca pode esperar nada de ninguém'), e para coisas boas, como botar uma idéia na cabeça e ir atrás dela custe o que custar. Determinação, sabe? Deixar de ser um qualquer e buscar algo, por menor que seja. É seu, você conquistou, ninguém tira.

A você, meu respeito, minha admiração, minha confiança, meu corpo, minha amizade, meus sorrisos. A você, minhas ofensas, minha maldade, minha eterna defensiva. A você, a quem amo, mas não posso ficar perto. A você, que detesto, mas não quero ficar longe.

[um dia, quem sabe, eu consiga te dizer isso.]
Link1 comment|Leave a comment

(no subject) [Jul. 22nd, 2006|04:24 am]
~~ Diálogos perdidos num bar barulhento ~~

(amiga) - Como é o nome do teu amigo?
(desconhecido) - Arturo.
(eu) - Arturo? Arturo Bandini, como no livro do Fante.
(amiga e desconhecido) - ...?
(eu) - ...! Vou ali passear.

Humildade é saber reconhecer quando as suas referências literárias não são bem vindas.
Ô...
LinkLeave a comment

(no subject) [Jul. 20th, 2006|03:50 am]
Felicidade muda sempre de lugar. De cor. De formato. De aparência.
Minha felicidade do dia é uma música do Rasmus. Mas é bem provável que em dez minutos eu esteja morrendo de vergonha e em busca de outro motivo para ser feliz.

Você me emprestaria um? Prometo devolver em bom estado.
LinkLeave a comment

(no subject) [Jul. 11th, 2006|12:11 am]
Os biscoitinhos não mentem jamais. Muito menos os biscoitinhos da sorte.
Logo, eu acredito no que ele me disse:

Responda somente o que o seu coração lhe mandar.
Link1 comment|Leave a comment

(no subject) [Jul. 7th, 2006|03:54 am]
Então, vamo lá?
Boooora...

No cartão, a frase pseudo-enigmática: 'para amar, não é preciso estar perto, mas sim do lado de dentro'. Pula-se uma linha, vem a outra, 'devagar como tudo deve ser'. Não está assinado. E precisa?
As flores, bonitas, de uma delicadeza enorme, vieram num cachepô médio. Dentro, um chaveirinho fofo, um macaco com um cachecol bonitinho.
As flores chegaram ontem a tarde, eu as recebi no trabalho, para curiosidade de meus colegas. A piada foi grande quando disse que vieram de UM (atenção para o artigo no masculino. HA HA HA!) ex. "Que poder, menina, sinal de que ele te quer de volta". E eu respondo, "imagino que queira...".

Eu não entendo.
Não posso cobrar linearidade, já que essa não é uma das minhas qualidades. Mas o que essa frase quis dizer? O que as flores quiseram dizer? E você, o que quer dizer? Age como se fosse normal distribuir flores pela cidade. Age como esperasse uma seqüência da nossa vida, que é um seriado tragicômico, um dia regado a flores, outro dia regado a conhaque, ligações perdidas e lágrimas no banco do carro. Leonard Cohen disse que não existe cura para um amor perdido. Eu nem sei ainda se realmente perdi esse amor, mas hei de concordar com o bom e velho Leo C. O tempo não cura marca de amor. Especialmente quando você quer esquecer o que se passou e de repente aparecem flores e um macaquinho fofo enrolado num cachecol para te lembrar o que você fez no coração da outra pessoa.

Bom. Eu sei o que eu quero.
Eu quero engolir o mundo, bem forte, assim como quero engolir você. Sem parar para pensar nem nada. Eu quero abrir minhas pernas em volta do teu corpo e te puxar para mim. E quero te mastigar devagar, sentindo bem todos os gostos. Você cheira bem, eu tinha certeza. Quero passar os dentes devagar na tua pele, para marcá-la, morder para sentir o sangue. Você já arrancou sangue de alguém? Não sentiu-se poderoso por isso? Não sentiu-se poderoso ao abrir-se e ao mesmo tempo exibir o mais inocente dos sorrisos, como se fosse uma grande brincadeira? Eu quero engolir o mundo e engolir você.

O amor perdido, se é que está perdido, depois eu vejo no que dá. Agora estou muito ocupada afundando em egoísmo e desejo.
LinkLeave a comment

navigation
[ viewing | most recent entries ]
[ go | earlier ]

Advertisement